Depois de uma projeção astral, você se lembra do que viu ou da interpretação que deu àquilo? Essa diferença pode passar despercebida, mas faz parte de uma pergunta importante para quem explora a projeção astral consciente. Foi também uma das questões que Wagner Alegretti e eu investigamos em nossa pesquisa.
Imagine que, durante uma projeção, você veja um centro escuro cercado de amarelo. Ao voltar sua atenção para o corpo físico, você se lembra de um girassol. Mas e se a imagem que tentava observar fosse, na verdade, um quadrado preto com uma borda amarela?
Será que você percebeu algumas características e as associou a algo familiar? A impressão mudou ao ser lembrada? Ou a semelhança foi uma coincidência?
Entender como percepção, interpretação e memória se relacionam pode ajudar você a compreender melhor suas próprias experiências.
Para investigar essas questões, usamos imagens que os participantes não conheciam, procedimentos controlados e o acompanhamento de auditores independentes.
Queríamos saber mais do que se alguém conseguia ver uma imagem desconhecida durante uma projeção astral. Quais detalhes essa pessoa percebia? Como entendia o que via? E do que se lembrava depois?
Afinal, viver uma experiência não significa compreender de imediato tudo o que aconteceu.

O que acontece entre ver e lembrar?
Na projeção astral, também chamada de experiência fora do corpo, você se percebe fora do corpo físico. Quando está consciente do que acontece, falamos em projeção astral consciente.
Nossa pesquisa partiu de um modelo multidimensional da consciência, adotando como hipótese de trabalho que a consciência pode existir e atuar além do corpo físico.
A partir daí, perguntamos: como percebemos, interpretamos e lembramos o que observamos durante uma projeção?
Queríamos entender como as impressões percebidas fora do corpo poderiam se tornar acessíveis ao cérebro físico. Será que algo muda quando tentamos interpretar ou lembrar o que vivenciamos?
O artigo científico que você pode baixar ao final deste texto apresenta nossos dois primeiros experimentos, realizados em 2001 e publicados em 2002. As perguntas que surgiram ali continuam úteis para quem quer compreender suas próprias projeções.
Um quadrado preto ou um girassol?
Os experimentos reuniram 105 participantes em workshops de projeção astral em Évora, Portugal, e Segóvia, Espanha. A tarefa era tentar sair do corpo e observar uma imagem desconhecida exibida em outra sala. Mais tarde, realizamos pelo menos outras cinco séries de testes, que não estão incluídas nesse artigo científico.
Um computador selecionava a imagem depois que a pesquisadora e o auditor independente saíam da sala onde ela seria exibida. A sala ficava trancada e vigiada. Antes de conversar sobre suas experiências ou descobrir qual era a imagem, os participantes entregavam seus relatos por escrito.

Foi nesses experimentos que surgiu o exemplo do girassol. Dois participantes relataram um girassol quando a imagem era um quadrado preto cercado por uma faixa amarela. Suas descrições correspondiam ao centro escuro com amarelo ao redor, mas não ao formato quadrado.

Isso nos levou a uma pergunta: será que uma impressão parcial havia sido associada a um objeto conhecido? Perceber certas características e reconhecer o que elas representam são etapas diferentes.
Os participantes não tinham visto o banco de imagens nem sabiam que tipos de figuras ele continha. Para eles, poderia aparecer uma letra, o Sol, uma cidade, um olho, uma célula ou qualquer outra coisa que coubesse na tela de um computador. Diante de tantas possibilidades, considero essas correspondências estatisticamente notáveis.
Você lembra da imagem ou do nome que deu a ela?
Ao refletir sobre uma projeção astral, vale separar três perguntas:
- Percepção: o que você viu ou percebeu durante a experiência?
- Interpretação: o que você achou que aquilo representava?
- Memória: do que você se lembra e o que consegue descrever depois?
Imagine acordar com a lembrança de uma forma estreita e vermelha que viu enquanto se sentia consciente fora do corpo.
O que ficou mais claro: o formato, a cor ou um objeto que você associou àquilo, como um termômetro? Se você pensou “é um termômetro”, será que esse nome passou a ocupar mais espaço na memória do que os detalhes da imagem?
Dentro do modelo multidimensional da consciência, há ainda outra questão: como aquilo que você percebe pelo corpo astral se torna uma lembrança que consegue acessar pelo cérebro físico?
As observações dos experimentos nos ajudaram a formular perguntas mais precisas para continuar a pesquisa.
Como lembrar melhor dos detalhes da sua projeção astral
Uma forma de cuidar dessas lembranças é registrar o que aconteceu antes de tentar explicar tudo.
Anotar “um centro escuro com amarelo ao redor”, por exemplo, preserva informações diferentes de escrever “um girassol”. No primeiro caso, você descreve características. No segundo, já identifica um objeto.
Um diário de projeções astrais pode ajudar nesse processo. Ao fazer seus registros:
- Anote a experiência logo depois, mesmo que algumas lembranças estejam incompletas.
- Faça desenhos de formas, cores e posições quando as palavras não derem conta.
- Separe o que você vivenciou da interpretação que deu à experiência.
- Registre também suas dúvidas, sem tentar preencher as lacunas da memória.
- Se estiver tentando observar uma imagem oculta, anote suas impressões antes de conferir o resultado. Observe as diferenças com o mesmo cuidado que dedica às semelhanças.
Com registros assim, fica mais fácil comparar experiências e perceber onde termina a observação e começa a interpretação.
Para mim, explorar nossa natureza multidimensional também é desenvolver discernimento. Nem tudo precisa ser explicado de imediato. Manter uma dose saudável de dúvida pode ajudar você a compreender melhor a experiência e sua complexidade.
Foi projeção astral ou visão remota?
Uma descrição correta de uma imagem escondida significa que a pessoa saiu do corpo para vê-la? Essa foi outra questão que investigamos.
Na visão remota, você tenta perceber algo distante ou oculto, sem usar os sentidos físicos habituais, mas continua se percebendo dentro do corpo. Na projeção astral, você se percebe fora dele.
Dentro do modelo adotado na pesquisa, os participantes poderiam chegar à imagem de duas formas: deslocando-se até o local durante uma projeção ou percebendo-a por visão remota, sem sair do corpo. Por isso, acertar a descrição não bastava para saber qual experiência havia ocorrido ou como a informação tinha sido obtida.
Incluímos perguntas específicas sobre o que os participantes haviam vivenciado para ajudar a distinguir essas possibilidades. As respostas trouxeram informações úteis, embora alguns relatos não pudessem ser classificados com segurança como projeção astral ou visão remota.
Quer conhecer a pesquisa completa?
Este texto se baseia no artigo que escrevi com Wagner Alegretti, “Quantitative and Qualitative Analysis of Experimental Research Project into Out-of-Body Experience” (2002), cujo título pode ser traduzido como “Análise quantitativa e qualitativa de um projeto de pesquisa experimental sobre experiências fora do corpo”.
No artigo completo, você encontra os procedimentos, exemplos de relatos, nossas interpretações e propostas para aperfeiçoar os experimentos. Há também relatos inesperados que interpretamos como possíveis casos de precognição: a percepção antecipada de acontecimentos futuros.
Para uma formação abrangente em projeção astral consciente, recomendo o premiado CDP – Programa de Desenvolvimento da Consciência, da IAC (CDP, na sigla em inglês).


